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Genderqueer

Tirésias é uma figura que sempre me instigou mais do que intrigou. Ele faz parte da mitologia grega e aparece na trilogia tebana do dramaturgo grego Sófocles e, também, nos cantos X e XI da Odisseia. Nascido como homem, ele se transforma em mulher após matar a fêmea de um casal de cobras que copulavam no Monte Citorão. Depois de sete anos ele retorna ao Monte Citorão e acha novamente um casal de cobras copulando, desta vez mata o macho e se transforma em homem. Por saber como é pertencer aos dois sexos, um dia ele é chamado por Zeus e Hera para opinar sobre quem sente mais prazer numa relação sexual, se o homem ou a mulher. Hera, que afirmava que era o homem a sentir mais prazer, sente-se ultrajada quando Tirésias diz que quem sente mais prazer é a mulher. Como vingança ela o cega. Zeus, compadecido da situação do pobre Tirésias, lhe dá o dom da profecia. E é do adivinho uma das falas mais bonitas das tragédias gregas: “Deus! Como é terrrível o dom da sabedoria quando não serve a quem o…
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“Ler Madame Bovary é um prazer estético, apreciar ao vivo um quadro de Van Gogh ou o Apoxiomeno é um prazer estético. Prazer estético, de acordo com o filósofo alemão Immanuel Kant, é sentir prazer diante do belo. De maneira que, prazer estético foi o que eu senti quando a vi pela primeira vez.”
Assim, começa o conto Gilda, que estou escrevendo para o portal de literatura lésbica Wonderclub. Mas afinal, quem é Gilda?
Gilda é uma prostituta, uma pessoa não aceita pela sociedade.Gilda carrega no rosto os sinais da incompreensão de seus pares, de sua família, de seus clientes. Gilda é o feminino de cada uma de nós. Gilda é o lado da vida que ninguém quer ver. Gilda é só desamor. Gilda poderia ser eu ou você que está lendo esse texto.
Até que um dia, por um acaso da vida, ou por uma conjunção astrológica, Gilda encontra alguém que é o seu avesso, uma mulher que de tão diferente dela pode vir a ser a única a entendê-la, que pode tanto vir a ser seu único amor quanto alguém letal ao seu coraçã…

Quase Nada

Em que momento o amor se instala com toda a sua bagagem dentro de nós? A questão é o ponto de partida do primeiro conto desse livro e o tempero para os textos seguintes, que tratam de amor, sexo, alma feminina, admiração, preconceito, sonhos e mistérios.Tudo com a delicadeza e o talento de Fabiula Bortolozzo, autora de Bella Donna: Amor no Feminino e Oito Minutos.
Em "Lembra quando você chegou?", temos a visão de um amor entre duas garotas que nem a implacabilidade do tempo conseguiu terminar, já em "Uma situação insustentável" a autora nos leva para dentro de um cenário típico de H. P. Lovecraft.
A leitura destes contos é um passeio pela diversidade, tanto de estilo quanto humana.

Oito Minutos

Em um lugarejo a beira-mar, num local indeterminado da Sul da América do Sul, vive Clarissa, uma mulher cujas feridas do passado continuam a doer. Clarissa é a dona de uma pousada em que a jovem Lia se hospeda. Os sentimentos que surgem entre essas duas mulheres e o forte relacionamento que se estabelece entre elas provocará uma reviravolta na vida de ambas. Um romance profundo, terno e sexy, que deixará os leitores questionando o peso que o passado tem na vida de qualquer pessoa.

http://www.indexebooks.com/oito-minutos.html
https://www.amazon.com.br/dp/B01N7L6Z8H

Bella Donna

Nos tempos da velha República dos Doges venezianos, Antonia, uma viúva aristocrata, decide passar o resto dos seus dias num convento da ilha de Murano. Ali encontra Elena, uma freira conversa, por quem se apaixona. 
"Bella Donna" é um romance histórico que nos mostra a vida em um convento num período de transição entre o Renascimento e a Idade Moderna. Em um mundo em mudança, vestígios e segredos do passado insistem em se manter por detrás dos muros conventuais, testanto o amor que surge entre Antonia e Elena.
Um enredo quase policial que fará com que os leitores não respirem até a última linha.

http://www.indexebooks.com/bella-donna.html
https://www.amazon.com.br/dp/B01I08WVLY



Fora do lugar-comum

O novo livro que Diana Rocco está escrevendo para o clube de literatura lésbica Wonderclub, merece algumas considerações devido à interessante técnica narrativa utilizada pela autora. O primeiro impacto que o texto causa, ou deveria causar, numa leitora mais atenta, é a utilização de dois narradores, no caso duas narradoras, as personagens Lou e Gal. Antes de continuarmos, é necessário um adendo para que não se faça confusão, em todo e qualquer texto o personagem principal sempre será o narrador, seja o foco narrativo utilizado em primeira, segunda ou terceira pessoa, pois é ela (ou ele) o único a saber o final da história, além do autor. Em Wird, o texto em questão, temos duas narradoras em primeira pessoa que nos apresentam dois pontos de vista diferentes sobre a mesma história. A estratégia utilizada pela autora  parece resultar, pois nos permite mais interpretações do que a utilização de apenas um narrador. Quem é a dominadora e quem é a dominada no texto? Afinal, nós temos duas his…

Ócio criativo, Literatura e Wonderclub

Se você já leu alguma coisa sobre a sociedade da Grécia Antiga, deve lembrar que além dos gregos diminuírem as mulheres e criarem uma falsa democracia, foram os responsáveis pelas bases filosóficas do ocidente e pelo cultivo do ócio. Para um grego, o ócio era tão, ou mais, importante do que o trabalho, pois era devido ao tempo dedicado ao ócio que as novas ideias prosperavam e a sociedade evoluía. Em 1990, o sociólogo italiano Domenico de Masi escreveu um livro chamado O Ócio Criativo, vejamos o que ele diz: “O ócio pode elevar-se para a arte, a criatividade e a liberdade.” Voltemos ao primeiro parágrafo desse texto e veremos que De Masi nos contempla com o mesmo pensamento da Grécia Clássica. Para que os seres humanos evoluam intelectualmente, espiritualmente, e muitos outros “mentes”, é necessário que haja outros seres humanos que forneçam ferramentas àqueles por meio das artes em geral. Ora veja cara leitora, agora chegamos ao ponto que interessa em nossa conversação. Como sobrevi…